{"id":297,"date":"2021-01-16T15:30:00","date_gmt":"2021-01-16T18:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/poiesisterapia.wordpress.com\/?p=297"},"modified":"2021-06-07T14:53:17","modified_gmt":"2021-06-07T17:53:17","slug":"enfrentandooluto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacopoiesis.com\/index.php\/2021\/01\/16\/enfrentandooluto\/","title":{"rendered":"Enfrentando o luto e a perda"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized is-style-rounded\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/d\/d2\/Van_Gogh_-_Trauernder_alter_Mann.jpeg\" alt=\"Enfrentando o luto: Imagem do quadro: At Eternity's Gate (1890) de Vincent Van Gogh, que mostra um homem curvado em express\u00e3o de sofrimento.\" width=\"365\" height=\"481\"\/><figcaption><em>At Eternity&#8217;s Gate<\/em> (1890)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left has-small-font-size\"><strong>A viagem<\/strong><br>Que coisas devo levar<br>nesta viagem em que partes?<br>As cartas de navega\u00e7\u00e3o s\u00f3 servem<br>a quem fica.<br>Com que mapas desvendar<br>um continente<br>que falta?<br>Estrangeira do teu corpo<br>t\u00e3o comum<br>quantas l\u00ednguas aprender<br>para calar-me?<br>Tamb\u00e9m quem fica<br>procura<br>um oriente.<br>Tamb\u00e9m<br>a quem fica<br>cabe uma paisagem nova<br>e a travessia insone do desconhecido<br>e a alegria dif\u00edcil da descoberta.<br>O que levas do que fica,<br>o que, do que levas, retiro?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\" style=\"font-size:14px\"><em>MARQUES, A. M. In: SANT\u2019ANNA, A (Org.).<br>Rua Aribau. Porto Alegre: Tag, 2018<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O poema A Viagem de <a href=\"https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/autor.php?codigo=03040\" title=\"https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/autor.php?codigo=03040\">Ana Martins Marques<\/a>, ganhou visibilidade nacional ao figurar na prova de Linguagens e Suas Tecnologias do Enem 2019. O poema reflete acerca da experi\u00eancia de separa\u00e7\u00e3o e expressa de modo muito delicado a dor da aus\u00eancia. Neste espa\u00e7o gostaria de an\u00e1lis\u00e1-lo como uma express\u00e3o poss\u00edvel do processo de <strong>luto<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio do texto o eu l\u00edrico se dirige \u00e0 algu\u00e9m, um outro que parte: <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>&#8220;Que coisas devo levar \/ nesta viagem em que partes?<\/em>&#8220;, <\/p>\n\n\n\n<p>e com isso j\u00e1 apresenta o tom do poema, a profunda incerteza que a perda de algo ou algu\u00e9m gera:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>&#8220;As cartas de navega\u00e7\u00e3o s\u00f3 servem<br>a quem fica. <\/em><br><em>Com que mapas desvendar <\/em><br><em>um continente que falta?&#8221;<\/em>, <\/p>\n\n\n\n<p>essa experi\u00eancia parece levantar uma sensa\u00e7\u00e3o de desamparo; como lidar com a perda? Afinal essa viv\u00eancia n\u00e3o somente abarca a aus\u00eancia material do que foi perdido, mas tamb\u00e9m a aus\u00eancia daquilo que este representava em nossas vidas. E nesse sentido, o eu l\u00edrico do poema parece perdido na busca por reparar este espa\u00e7o vazio, sem saber como superar essa dor <\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Estrangeira do teu corpo\/ t\u00e3o comum \/ quantas l\u00ednguas aprender \/ para calar-me?&#8221;<\/em>. <\/p>\n\n\n\n<p>Essa sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 retificada em um trecho t\u00e3o bonito quanto singular <em>&#8220;Tamb\u00e9m quem fica\/ procura \/ um oriente.&#8221;<\/em>, ou seja quem vivencia uma perda de fato busca um norte, um <em><strong>sentido<\/strong><\/em>, e essa busca pelo sentido da perda \u00e9 uma empreitada dolorosa e dif\u00edcil, pois almejamos atribuir uma explica\u00e7\u00e3o l\u00f3gica \u00e0 fatalidades que est\u00e3o fora de nosso alcance. No final do poema, no entanto, parece emergir uma sugest\u00e3o de esperan\u00e7a:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">Tamb\u00e9m <br>a quem fica cabe uma paisagem nova<br>e a travessia insone do desconhecido<br>e a alegria dif\u00edcil da descoberta.<br>O que levas do que fica,<br>o que, do que levas, retiro?<\/p>\n\n\n\n<p>uma esperan\u00e7a, porque de fato quem fica v\u00ea-se diante de uma outra paisagem, de uma outra realidade na qual o outro n\u00e3o faz parte, uma paisagem empobrecida. Mas que ainda pode abrir espa\u00e7o para o novo, ao passo em que algo de n\u00f3s \u00e9 levado com a experi\u00eancia da perda, mas tamb\u00e9m, algo do outro ainda vive em n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente ainda n\u00e3o existe uma receita pronta sobre como enfrentar o luto, essa experi\u00eancia \u00e9 t\u00e3o importante que todas as sociedade estudadas pelos antrop\u00f3logos possuem rituais pr\u00f3prios, formas de digerir a perda e reornagizar a pr\u00f3pria perspectiva. Mas algo que parece necess\u00e1rio e comum \u00e9 a necessidade de abrir espa\u00e7o para o sofrimento, para poder <em>sentir<\/em> aquilo que essa aus\u00eancia representa, sentir, pois \u00e9 algo que vai al\u00e9m do pensar, al\u00e9m da an\u00e1lise l\u00f3gica, algo que se manifesta concretamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste momento tamb\u00e9m \u00e9 importante abrir-se para ajuda, reconhecer em que ponto a dor se torna insuport\u00e1vel, pois o sofrimento em si n\u00e3o \u00e9 patol\u00f3gico, \u00e9 algo esperado e necess\u00e1rio para o desenvolvimento emocional. Mas muitas vezes ele se torna excessivo e \u00e9 importante que isso seja percebido para que se possa buscar ajuda, seja de um amigo\/familiar, seja de um profissional terapeuta. <\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea est\u00e1 passando por um processo de sofrimento e sente que n\u00e3o consegue dar conta sozinho, agende uma <a href=\"https:\/\/espacopoiesis.com\/index.php\/agendamento\/\" title=\"Agende uma sess\u00e3o\">consulta psicol\u00f3gica<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O poema A Viagem de Ana Martins Marques, ganhou visibilidade nacional ao figurar na prova de Linguagens e Suas Tecnologias do Enem 2019. O poema reflete acerca da experi\u00eancia de separa\u00e7\u00e3o e expressa de modo muito delicado a dor da aus\u00eancia. 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