{"id":177,"date":"2020-12-28T21:23:46","date_gmt":"2020-12-29T00:23:46","guid":{"rendered":"https:\/\/poiesisterapia.wordpress.com\/?p=177"},"modified":"2021-07-14T21:30:06","modified_gmt":"2021-07-15T00:30:06","slug":"a-solidao-da-experiencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacopoiesis.com\/index.php\/2020\/12\/28\/a-solidao-da-experiencia\/","title":{"rendered":"A experi\u00eancia da solid\u00e3o"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"177\" class=\"elementor elementor-177\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-187026f3 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"187026f3\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-64a811c4\" data-id=\"64a811c4\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-14b078d9 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"14b078d9\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><\/p>\n<div class=\"wp-block-image is-style-rounded\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/tab\/34\/2020\/03\/05\/solidao-1583442992128_v2_1920x1280.jpg\" alt=\"\" width=\"656\" height=\"437\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<p><\/p>\n<p class=\"has-text-align-left has-small-font-size\"><em>A experi\u00eancia da solid\u00e3o:<\/em><\/p>\n<p class=\"has-text-align-left has-small-font-size\"><em>&#8220;Faz alguns dias que n\u00e3o escrevo porque eu quis, antes de tudo, pensar neste di\u00e1rio. \u00c9 estranho uma pessoa como eu manter um di\u00e1rio; n\u00e3o apenas por falta de h\u00e1bito, mas porque me parece que <strong>ningu\u00e9m \u2013 nem eu mesma \u2013 poderia interessar-se pelos desabafos de uma garota de treze anos<\/strong>. Mas que importa? Quero escrever e, mais do que isso, <strong>quero trazer \u00e0 tona tudo o que est\u00e1 enterrado bem fundo no meu cora\u00e7\u00e3o.<\/strong> H\u00e1 um ditado que diz: \u201cO papel \u00e9 mais paciente que o homem\u201d. Lembrei-me dele em um de meus dias de ligeira melancolia, quando estava sentada, com a m\u00e3o no queixo e t\u00e3o entediada e cheia de pregui\u00e7a que n\u00e3o conseguia decidir se sa\u00eda ou ficava em casa. Sim, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que o papel \u00e9 paciente, e como n\u00e3o tenho a menor inten\u00e7\u00e3o de mostrar a ningu\u00e9m este caderno de capa dura que atende pelo pomposo nome de di\u00e1rio \u2013 a n\u00e3o ser que encontre um amigo ou amiga verdadeiros \u2013, posso escrever \u00e0 vontade. Chego agora ao xis da quest\u00e3o, <strong>o motivo pelo qual resolvi come\u00e7ar este di\u00e1rio: n\u00e3o possuo nenhum amigo realmente verdadeiro.<\/strong>&#8220;<\/em><\/p>\n<p class=\"has-text-align-left has-small-font-size\" style=\"text-align: right;\"><strong>FRANK, Anne. O di\u00e1rio de Anne Frank. 2 ed. S\u00e3o Paulo: Lebooks, 2017.<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>No trecho do di\u00e1rio de Anne Frank a jovem autora nos convida \u00e0 uma reflex\u00e3o t\u00e3o pessoal, mas t\u00e3o universal: a inseguran\u00e7a que envolve o abrir-se e revelar aspectos da nossa intimidade. No texto a menina vivencia a solid\u00e3o e o medo, consequentes do contexto da guerra. Atualmente, vivemos em um contexto bem diferente, no entanto a sensa\u00e7\u00e3o de isolamento pode ser vivenciada por diversas raz\u00f5es.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Buscando investigar a experi\u00eancia da solid\u00e3o o grupo BBC conduziu a pesquisa <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/vert-fut-46090698\">BBC Loneliness Experiment<\/a> e identificou altos \u00edndices de solid\u00e3o em todas as faixas et\u00e1rias, inclusive em jovens de 16 \u00e0 24 anos. A pesquisa tamb\u00e9m identificou que quanto mais prolongada era a sensa\u00e7\u00e3o de estar sozinho, mais angustiante se tornava a experi\u00eancia para os participantes.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>No dicion\u00e1rio <em>Michaelis <\/em>a solid\u00e3o \u00e9 definida como o &#8220;<strong>Estado <\/strong>ou <strong>condi\u00e7\u00e3o <\/strong>de pessoa que se sente ou est\u00e1 s\u00f3; isolamento&#8221;, \u00e9 interessante observar que essa experi\u00eancia pode tanto ser uma condi\u00e7\u00e3o material, de uma rotina de vida com contato limitado com outras pessoas, quanto uma sensa\u00e7\u00e3o \u00edntima de n\u00e3o pertencimento.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em ambos os casos o que parece se apresentar \u00e9 a inviabilidade de sentir-se <strong>compreendido <\/strong>por um outro, de estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o de qualidade \u00edntima que permita a express\u00e3o da experi\u00eancia individual e singular. Nesse sentido n\u00e3o \u00e9 estranho que essa sensa\u00e7\u00e3o possa ser angustiante, afinal a experi\u00eancia humana j\u00e1 \u00e9 solit\u00e1ria a medida que nossas maiores alegrias, frustra\u00e7\u00f5es e ansiedades s\u00e3o \u00edntimas, podem apenas ser relatadas e muitas vezes \u00e9 dif\u00edcil express\u00e1-las com fidelidade.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>\u00c9 nesse espa\u00e7o entre o eu e o mundo que arte se insere<\/strong>, tal qual no excerto de Anne Frank que sintetiza de modo t\u00e3o singelo e direto a busca por <strong>um espa\u00e7o de vaz\u00e3o de tudo aquilo que nos transborda<\/strong>. \u00c9 justamente naquela m\u00fasica, naquela pintura ou naquele filme que aproveitamos no final de semana que uma ponte de comunica\u00e7\u00e3o entre a nossa subjetividade e a do outro se constr\u00f3i.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Por vezes, no entanto, essa sensa\u00e7\u00e3o se torna sufocante. A dificuldade parece se tornar maior que n\u00f3s mesmos, e \u00e9 quase como se um <strong>v\u00e9u se desenhasse entre n\u00f3s e o mundo<\/strong>. \u00c9 nessa perspectiva tamb\u00e9m que a <strong>terapia <\/strong>busca atuar, ao criar um espa\u00e7o de express\u00e3o livre atrav\u00e9s da fala ou de qualquer outra ferramenta poss\u00edvel, ela permite uma rela\u00e7\u00e3o genuinamente acolhedora entre terapeuta e cliente de modo que seja poss\u00edvel a constru\u00e7\u00e3o um novo horizonte de a\u00e7\u00e3o e a <strong>transposi\u00e7\u00e3o desse v\u00e9u.<\/strong><\/p>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/espacopoiesis.com\/index.php\/blog-2\/\">Leia mais<\/a><\/h3>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Solid\u00e3o \u00e9 a inviabilidade de sentir-se compreendido por um outro, de estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o de qualidade \u00edntima que permita a express\u00e3o da experi\u00eancia individual e singular. 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